Quem já viu uma criança tímida se soltar diante de um coelho, ou um paciente sorrir pela primeira vez em dias ao receber a visita de um cão, sabe que os animais têm algo de especial. A ciência estuda há décadas o que acontece nesses encontros, e hoje esse campo tem nome, definições e cuidados próprios.
O que são os serviços assistidos por animais
A IAHAIO (Associação Internacional de Organizações de Interação Humano-Animal) é a principal referência internacional no assunto. Por muito tempo, ela chamou essas práticas de "intervenções assistidas por animais". Agora está atualizando o termo para serviços assistidos por animais. São atividades planejadas em que um animal participa de forma intencional para promover saúde, aprendizagem ou bem-estar. Elas se dividem em três modalidades principais:
- Terapia Assistida por Animais (TAA): intervenção terapêutica planejada e com metas definidas, conduzida por profissionais da saúde, como psicólogos, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais. O progresso de cada paciente é acompanhado e registrado.
- Educação Assistida por Animais (EAA): intervenção com objetivos pedagógicos, conduzida por educadores ou especialistas. O animal é ponte para o conhecimento: a criança aprende sobre ciclos de vida, habitats e cuidado a partir de um encontro real.
- Atividade Assistida por Animais (AAA): visitas com objetivos motivacionais, educativos ou recreativos, como em hospitais, abrigos e casas de repouso. São mais livres, mas exigem equipe preparada e animais adequados.
Nas três, uma regra vale sempre: o bem-estar do animal vem junto com o bem-estar humano. O documento de referência da IAHAIO traz, já no título, diretrizes para o bem-estar dos animais envolvidos.
Uma história de séculos
- Século XVIII: no York Retreat, na Inglaterra, William Tuke propôs um tratamento mais humano para pessoas com sofrimento mental, e os pacientes conviviam com pequenos animais nos jardins.
- Século XIX: Florence Nightingale, pioneira da enfermagem moderna, já observava que a presença de animais trazia conforto às pessoas doentes.
- Início do século XX: Sigmund Freud costumava ter seu cão Jofi presente nas sessões de psicanálise.
- Anos 1950, no Brasil: a psiquiatra Nise da Silveira introduziu gatos e cães nos ateliês do Centro Psiquiátrico Pedro II, no Rio de Janeiro. Ela chamou os animais de "coterapeutas" e os descreveu como "excelentes catalisadores" de afeto para pacientes que viviam isolados. Enfrentou resistência dos colegas, mas abriu caminho para o que viria depois.
- Início dos anos 1960, nos EUA: o psicólogo Boris Levinson percebeu que uma criança que não falava com ninguém começou a conversar com seu cão, Jingles. A partir daí, passou a estudar o papel dos animais na terapia.
- Décadas seguintes: pesquisadores como Samuel e Elizabeth Corson ampliaram os estudos com pacientes psiquiátricos, e o campo ganhou organizações, pesquisas e protocolos próprios.
E na Bioterapia?
Nossos programas nascem dessa história. No BIOEDUCA, levamos a Educação Assistida por Animais para dentro das escolas, ligando cada vivência a um conteúdo ecológico. No BIOCURA, fazemos visitas a hospitais, abrigos e casas de repouso. Em todos eles, seguimos o mesmo princípio: roda, chão, respeito ao tempo de cada pessoa e aos limites de cada animal.
Porque, no fim, o que esses encontros ensinam é simples: somos parte da mesma natureza.