Autismo e os Animais

Há crianças que parece não aprenderem a reconhecer os códigos que regem a comunicação humana. Alheias à presença dos outros, mergulhadas em um universo próprio difícil de adentrar para todos que as cercam, apresentam padrões restritos e repetitivos de comportamento. Essa tríade de sintomas, dificuldade de interação social, de comunicação e repetição de comportamentos padronizados, caracteriza um transtorno do desenvolvimento conhecido como autismo. Na verdade, as dificuldades do autista variam em grau e intensidade e o comprometimento pode ser grave ou tão leve que o portador do transtorno consegue levar uma vida próxima do normal. Apesar de autismo não ter cura, quanto antes for diagnosticado, melhor. Crianças convenientemente tratadas podem desenvolver habilidades fundamentais para sua reabilitação.


O combate a essa dificuldade na interação social, pode ter os animais como grandes companheiros. "Existem diversos estudos acadêmicos, relacionados ao comportamento das crianças autistas quando tem alguma interação com os animais. Auxiliam no convívio social e na consciência cognitiva e sensorial, atua na auto-confiança e torna a criança mais sociável e interativa com o mundo a sua volta, então melhora bastante a capacidade de comunicação.

Em relatos de pais que adquiriram um bichinho de estimação observam que a criança ficou menos ansiosa, teve menos episódio de crise, e aumentou a confiança, a responsabilidade com outro ser, uma relação que, ao contrário das outras, não falhou. Uma relação carinhosa e livre, onde o contato acontece de forma natural, sem pressões ou obrigações. Uma relação entre uma criança e um animal.


Segundo os pesquisadores, as crianças autistas encontram dificuldades para entender emoções e sentimentos das outras pessoas, mas possuem maior facilidade em relação à um animal, auxiliando no seu desenvolvimento que passam a demonstrar um maior conforto no relacionamento com outras pessoas, sendo mais solidárias  com quem conviviam. Estudos demonstram que 94% das crianças autistas que possuem bichos de estimação são fortemente ligadas a eles. Nas famílias sem animais, 7 em cada 10 pais afirmam que os filhos interagem com bichos. Essa relação tende a melhorar as habilidades sociais porque os animais oferecem amor incondicional e companheirismo sem julgamento aos autistas. Crianças que cresceram com seus animais de estimação demonstram-se mais fortes em comparação àquelas que não tiveram o mesmo vínculo desde muito pequenas. Por isso, é preferível construir esse vínculo o mais cedo possível.


O nome que se dá ao tratamento em que animais auxilia na melhoria física, mental e cognitiva dos seres humanos é chamada Terapia assistida por animais, e os animais mais usados e conhecidos para autistas são cães e cavalos, porém já há estudos que mostram que todos os animais tem um potencial benéfico para as terapias.


A pesquisadora Mari Aprile é uma bióloga e tem um filho autista, sentiu a necessidade de entender mais o assunto para poder ajuda-lo, seu filho apresentava grande dificuldade em manter trocas de olhar e ela logo pensou na coruja, que tem um olhar intenso. A descoberta foi incrível e as melhorias comprovadas são as mesmas eu as dos animais mais usados, com a potencialização de aumentar a facilidade de trocas de olhares em autistas.

Isso nos mostra o quanto ainda temos que pesquisar e entender sobre a incrível troca sincera e amorosa entre humanos e animais que podem melhorar a autonomia, autossuficiência, comunicação e independência dos autistas, além de serem uma companhia e uma fonte de diversão para eles.


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