FELIZ DIA DOS PAIS

Meu pai é meu herói.

Quantas crianças podem falar isso? Quantas crianças criam de fato uma vida de memórias afetivas com seu pai?

No Brasil 5,5 milhões de crianças não tem o nome do pai no registro de nascimento - alarmante e assustador. Infelizmente muitos que levam o nome do pai na certidão não o levam no seu dia a dia, vemos mães desgastadas e sobrecarregadas cuidando de seus filhos mesmo casadas com o pai. Por quê?

Esse não é um texto contra o machismo apontado o homem como vilão e a mulher como vítima. Todos são vítimas! Todos! Inclusive os filhos.

O desgaste para cuidar dos seus filhos é recompensador, engrandecedor e dá acesso a um amor genuíno e sagrado. Aliás, acredito que a resposta do "Por quê?" está relacionada a sentimentos... Antes do homem ser pai, ele foi um adolescente, uma criança que desde pequeno a cultura machista que nos toma o podou, o ensinou que menino não chora, satirizou quando se disse gostando de alguém, o proibiu de brincar de casinha, de boneca.

Sempre tratamos o machismo como algo que oprime as mulheres, mas o quão opressor é não poder ter sensibilidade, não poder acessar e dividir seus próprios sentimentos? Como se busca o autoconhecimento para ter clareza e paz sem antes ter acesso ao seu eu mais profundo?Depois essa criança cresce e é cobrado por ser insensível ou ausente. As cobranças no mundo masculino são muitas: tem que ter dinheiro, tem que prover, tem que estar ereto, entre tantas outras.

Ao observar uma "família tradicional brasileira" vemos um pai perdido dentro de si, vestindo a capa de durão que acredita participar da criação do filho colocando comida na mesa, uma mãe estressada e sobrecarregada carregando culpa por as vezes estourar com o filho e uma criança no meio desses dois adultos doentes, carente e preocupado.

É preciso mudar. Pra isso, temos que nos livrar de dentro todos esses padrões que nos passaram a vida inteira, porque machismo é cultural, pertence a todos e está em todos. O trabalho agora é apoiar um menino que chora, abraçar seus sentimentos, deixar ele brincar de boneca, casinha, comidinha, porque ele cresce e vira pai, tem um lar e faz comida. É lutar por licença paternidade, fraldário em banheiros masculinos, ter pré natal também para homens! Eles também estão passando por uma grande mudança na vida, precisam de apoio e informação. É mudar o olhar e enxergar em um homem um mundo de sentimentalismo e fraquezas sem considerar isso broxante ou feio, ao contrário, ver em um homem sensível, um homem forte.

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