VOA,PASSARINHO

Joelho ralado, quanta historia tem por trás?


Um simples joelho ralado começou com uma brincadeira. Aqui, nada de vídeo game: tem corrida, pulos, escalar árvore. Algum movimento do corpo exigiu essa ralada. Depois vem a necessidade da coragem, o antisséptico, curativo e o grande triunfo.. a história! Contar pra todos o salto que deu, a queda que levou e o tratamento.Daí a criança tira tantos ensinamentos - do que é capaz, da força que tem - que dor até passa. Ao brincar livre se desenvolve o lado lúdico, o criar, o agir, a auto confiança, cuidado, autonomia e liberdade. Estamos vivendo em uma realidade diferente da de antigamente, não vemos mais as crianças quebrando vidros de carro na rua ao jogar futebol, correndo atrás de pipa, ou subindo na amoreira. Tempos mudados, a rua está perigosa. As crianças viraram prisioneiras da própria casa. E nesse processo algo se confundiu - o cuidado com o perigo. A sujeira virou um problema, um cômodo bagunçado, gritaria, ou até mesmo um simples e importante machucado no joelho é motivo de extrema preocupação para cuidadores, é quase mantê-los em bolhas. Se tem medo de tudo. Logo cresce uma criança insegura e sedentária. Pais, mães, cuidadores, tem como missão cuidar e proteger as crianças dos perigos, mas há um limite, tanto de proteção quanto de perigos. Parte do nosso papel de proteção é também prepará-los para a vida. Cair e levantar é um dos ensinamentos mais importantes para se levar para a vida. É preciso lágrimas, machucados, bagunça e sujeira.. isso também educa. Deixe eles criarem, bagunçarem e arrumarem depois. O que pra nós é bagunça, pra eles é um castelo, dinossauro ou uma floresta encantada! Permita! Permita eles serem.. Os dias atuais já nos podam muito da nossa natureza. Muita coisa mudou e muitas das nossas crianças estão sofrendo transtornos psicológicos. Os índices estão alarmantes. Até onde esse joelho lisinho das nossas crianças está influenciando nesses alarmantes índices? A ferida sai da carne e invade a alma. Liberdade! Tantas vezes soados em gritos de guerra.. dessa vez, presos na garganta das crianças. Podemos não enxergar as asas delas, mas elas estão lá.. e assim como um pássaro, precisa de treino para saber voar, senão, atrofia. Sejamos então, vento, que impulsiona e os leva lá pra cima, livres, e quando eles caírem, estaremos aqui, dando colo e cuidados.

É então, quando menos se esperar, estaremos aqui de baixo, admirados, olhando nossos passarinhos dançando no ar.
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